Mostrando postagens com marcador Conto. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Conto. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O fantasma da carpintaria - parte 3

UM TEXTO EM 4 PARTES

— Você não quer ficar? Depois a gente podia sair, comer alguma coisa, sei lá, ir lá pra casa e ver um filme no sofá, em baixo do cobertor...?

— Não, não. Isso é golpe baixo. Você ta com medo e agora tenta me ludibriar pra ficar aqui por meio de tentativas de sedução. Dona Marina, sua sem-vergonha!

— Ahhh, que droga, Francisco! O que você tem de tão importante pra fazer, afinal? Não dá pra ficar aqui? Poxa eu tentei até sedução. Eu não consigo seduzir nem um pré-adolescente tarado que acha tudo sexy.

— Tenho que fichar dois textos pra amanhã, terminar de analisar um filme, lavar o banheiro e escrever um conto. Fora que tenho prova amanhã.

— E por que você deixou tudo pra última hora? — Por que você deixou essa escultura pra última hora?

— Touché.

Ele deu um beijo rápido nela e foi em direção às escadas. Marina foi pra carpintaria. Quanto antes começasse, antes terminaria. Quanto antes terminasse, melhor.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

O fantasma da carpintaria - parte 2

UM TEXTO EM 4 PARTES


— Que mulher? Que história? Não tem nada disso.

— Tem sim, ué, to dizendo. Quem me contou isso foi um professor aí. Faz uns 20 ou 30 anos, mais ou menos. Uma menina tava trabalhando até tarde na carpintaria e foi morta quando saía de lá. Supostamente atacada por um maníaco.

— Por que supostamente?

— Nunca acharam o autor do crime. Não conseguiram encontrar nem vestígio de um criminoso. Nem digital, nem fio de cabelo, nem pedaço de roupa, nada.

— Er.. e c-como foi que ela morreu?

— Enforcada. Provavelmente com um pedaço de cano ou de madeira contra a garganta. Dizem que o espírito dela ainda ronda cada pedaço de madeira dessa carpintaria e de tempos em tempos ela dá sinais de que ta mesmo por lá. Parece que ela vive, ou melhor, assombra em busca do assassino e que ninguém está seguro.

— Ai, mas que besteira, francamente. Você só ta falando isso porque eu vou ficar na carpintaria até tardão. Nunca aconteceu nada. Não vai ser hoje que os espíritos malignos vão me atacar. Mas olha, pode deixar que eu to com o cartãozinho dos caça-fantasmas aqui na minha bolsa. Qualquer coisa eu ligo pra eles, ta bom? — Marina tentou soar despreocupada e blasé, mas sempre tinha sido suscetível a histórias de terror e além do mais era uma péssima atriz.

— Se você está tão blasé assim, porque ficou toda arrepiada? — Francisco riu.

Ele passou seu braço sobre os ombros dela. Quando ele pousou a mão sobre o braço dela, Marina sentiu o frio do anel que ela tinha comprado pra ele, de aço com o emblema do Lanterna Verde. Ele se inclinou e sussurrou em seu ouvido:

— Cuidado com a mulher da carpintaria. Vigilância constante e cuidado com cantos escuros.

— Aaaaaaai, Franciscooooooo! — Marina sacudiu o braço dele e estremeceu levemente. — Pára com essas besteiras! Que droga!

Francisco riu de leve, mas parou ao ver o olhar de censura que Marina lançou em sua direção. Chegaram ao laboratório e Marina pegou as chaves.



quarta-feira, 1 de julho de 2009

O fantasma da carpintaria - parte 1

UM TEXTO EM 4 PARTES


Era uma quarta-feira à noite. Chovia. Uma chuva insistente que caía desde sexta-feira à tarde. Tinha sido um bom fim de semana para dormir. Marina e Francisco estavam em uma das salas do subsolo da universidade. Não costumavam ter aulas às quartas-feiras no horário das 19h às 21h, mas o professor tinha resolvido marcar uma aula extra e exigir presença. Nem Marina, nem Francisco podiam se dar ao luxo de ter mais faltas naquela matéria.

Quando enfim terminou a interminável aula, os dois tiveram que sair do bloco A e ir até o J. Marina tinha que dar os retoques finais em uma escultura na qual vinha trabalhando desde o início do semestre. Ela tinha combinado tudo com o Sérgio Carpinteiro e ele tinha emprestado a chave para ela poder usar a carpintaria do departamento até a hora que precisasse.

— Esse subsolo já é macabro durante o dia, agora então... Parece mais uma masmorra de Hogwarts que qualquer outra coisa... — Foi Francisco que começo a falar.

— Eu sei... Parece uma coisa de um filme de terror, sei lá. Dá até pra imaginar: — Marina começou a ter seus delírios criativos. Francisco sabia disso por causa do olhar vagamente psicótico da garota. — Uma lâmpada falhando, fazendo aquele zumbido de eletricidade, uma goteira caindo bem longe com um eco distante, escuridão atenuada por faixas de luz cruzando os corredores, a mocinha corre desesperadamente. Uma câmera na mão, filmando ela de frente. Atrás dela só um vulto ocasional num contra-luz tenebrosamente sinistro.

Nesse momento Marina já agitava as mãos no ar freneticamente, tinha o olhar perdido num ponto indeterminado e sorria um sorriso meio perturbado.

— Ta, mas o que acontece ate chegar nessa cena? Precisa de uma história, né? Nem que seja um cocô de história, precisa de uma.

— Ah, isso eu não pensei ainda, mas dá pra inventar alguma coisa depois. Francisco mudou de assunto, mas não tanto.

— Aquela sua carpintaria lá também é bem sinistra, né, não? Aqueles serrotes, furadeiras, pedaços esquisitos de tábua... Tudo muito estranho... Já te contaram da história da mulher que morreu por lá?



terça-feira, 30 de junho de 2009

Lolontra e Peixoto

Semana passada eu precisava fazer uma viagem de negócios, mas era só uma noite, então não achei que seria um problema deixar meu bichinho de estimação, a Lolontra, sozinho.

Saí terça à tarde e quarta de manhã já estava de volta. Percebi que tinha deixado passar um detalhe. Olhei pro aquário em cima da cômoda e uma lágrima caiu do canto do meu olho.

Lolontra tinha comido o Peixoto. E não pude fazer nada com a Lolontra. Ela tinha engasgado e morrido sufocada com o Peixoto. Pobre peixe beta inocente, lutou até o fim.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Dizem que Krypton vai explodir

NOTA: Eu não estou obcecada por Krypton, nem nada assim. Na verdade esse texto e o anterior são duas abordagens diferentes pra um mesmo tema: "Em algum lugar do passado". Era pra escrever o texto se baseando em algum acontecimento histórico. Mas eu não podia ser normal e escrever sobre coisas da Terra. Nããããão, eu tinha que ser a nerd que escreve sobre Krypton. Depois eu não sei porque o professor me odeia...

---

O jeito que as pessoas lidam com problemas é perturbador. Agora tão vindo com essa idéia de que Krypton vai explodir porque o núcleo é instável e blá blá blá. Ok, tivemos nossos problemas, nossas guerras, mas o planeta ainda vai muito bem, obrigado. Poxa, todo mundo passa por guerras e situações-limite de vez em quando!

Em Thanagar eles tiveram aquele problema com os Gordanianos, perderam a guerra, mas ainda tão lá, super bem. Tiveram atritos com Rann, também, mas no fim voltaram à vida normal quando os Lanternas Verdes corrigiram a órbita do planeta. Falando em Lanternas, em Korugar, o Lanterna Verde Sinestro ficou doido e achou que o planeta só ia funcionar se ele fosse o governante supremo. Os Guardiões do Universo descobriram tudo e mandaram ele pro universo Qward de anti-matéria e pronto, tudo resolvido.

Porque os kryptonianos derrotistas tem que dizer que nosso planeta vai explodir? É coisa da Família El. Eles são doidos por lá. Principalmente o Jor-El. Ele é que veio com essa história de que o núcleo é instável e é isso que causa os terremotos constantes, e que logo o planeta não vai mais resistir, então a gente tinha que restabelecer o programa espacial pra construir uma estação... Enfim, uma balela. Só quem apóia ele é o Zor-El. E a Lara também. Mas irmão e esposa não contam.

Agora dizem que ele construiu uma nave e vai mandar o filhinho dele e da Lara, o Kal-El, pra Terra. Ele é pirado. Mandar o menino pra aquele antro de lunáticos perturbados que é a Terra... E pra nada! Ele nunca mais vai ver o menino porque é um paranóico... Ninguém sabe o que fazer, a cada terremoto fica todo mundo aí, em pânico, desesperado. E por quê? Por nada. Por causa de um louco que não sabe o que tá falando. Até parece que Krypton vai explodir assim de rep..

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A verdade sobre a explosão de Krypton

ATENÇÃO: Esse é um texto enorme, não exatamente bom, cheio de informações incorretas sobre Star Wars e Superman. Mas é legal. Não quer ler?


Há muito tempo, em uma galáxia muito, muito distante...

[Entra a música]

STAR
WARS

[Letreiros amarelos sobem]

Os jedis haviam sido exterminados.
A Galáxia era governada com punhos de
ferro por um Império totalitário e repressor.

O 1º Império Galáctico se baseava
no terror e na Intimidação para
manter a ordem na galáxia.

Os primeiros focos de resistência Rebelde começaram
a surgir assim que foi anunciada a nova forma de governo.
Mas o poder de fogo do Império estava prestes a ser ampliado....

[Câmera faz um tilt pra baixo e vemos um Star Destroyer Imperial cruzar o espaço interminavelmente]

Ok, introdução-padrão feita, seguindo:

Como 3º controlador de sub-operações secundárias de um Star Destroyer Imperial (o principal, eu gostaria de dizer), eu costumo ouvir bastante coisa. Isso porque a mesa de operações de minha responsabilidade (a que regula dróides-esfregão e dróides-desentupidores) fica bem embaixo da plataforma de observação.

Governador Tarkin e Darth Vader costumam se reunir ali. Algumas vezes até o Imperador comparece holograficamente. Sei que é uma aparição holográfica quando ouço a voz mas não escuto os passos. No meu turno passado ouvi algumas coisas que me deixaram um pouco perturbado.

Afinal de contas, o Império é responsável por manter a ordem na galáxia, sem se descuidar da paz. Eu sei que os métodos utilizados pelos oficiais imperiais são no mínimo questionáveis, mas nunca imaginei...

Bom, ouvi Lorde Vader conversando com Governador Tarkin. Tarkin queria iniciar os testes da Estrela da Morte, a maior e mais moderna estação espacial já construída. Dizem que será do tamanho aproximado de uma das luas de Yavin. Parece que nessa tal Estrela da Morte serão instalados centros de formação de Storm Troopers. Mas pelo que ouvi da conversa, não é essa a função principal desse terror tecnológico que eles criaram.

A conversa, estranhíssima, foi assim:

— Lorde Vader, o prazo da equipe de construção está prestes a terminar e eu não vejo resultados concretos. Isso me preocupa.

—A Estação estará em operação dentro do prazo estipulado. Se não estiver concluída os responsáveis por ela sofrerão as conseqüências de sua negligência e sentirão o poder da Força.

— A Estrela da Morte precisa estar em condições de teste. Os Rebeldes estão instalados em pelo menos três bases diferentes. As suposições para duas delas são Hoth e Yavin 4, mas descobrimos que o Senador Bail Organa, em Alderaan, é um traidor e membro-fundador da chamada Aliança Rebelde.

— Não pense que a solução para os problemas com a resistência Rebelde está nesse terror tecnológico que vocês construíram. A habilidade de explodir um planeta inteiro é insignificante perto do poder da Força. Tarkin estava imóvel, não se mexia, não andava. Certamente paralisado pelo terror. Vader caminhava de um lado a outro da plataforma de observação. Foi a voz trêmula de Governador Tarkin que quebrou o silêncio.

— Obtive informações sobre um planeta localizado no fim da galáxia que pode servir como a perfeita situação teste para a Estrela da Morte.

— É um planeta deserto, Governador?

— Ao contrário. Krypton é um planeta habitado, mas acabou de sair de uma terrível guerra. São conhecedores de avançadas tecnologias e constituem uma ameaça real ao Império caso um foco de subversão surja em seus domínios. Se explodíssemos Krypton estaríamos testando nossa arma e nos livrando de uma potencial ameaça.

Vader só respirava. Tarkin continuou:

— Krypton está prestes a explodir. Bem, não num futuro imediato, mas nos próximos 1000 ou 2000 anos. O núcleo do planeta é formado de uma substância radioativa e instável.

— Seus motivos não justificam que se elimine o planeta, Governador. Saiba que se levar esse teste a cabo, estará indo contra a minha vontade.

E Vader saiu andando com passos irritados. Ou tão irritado quanto ele poderia caminhar, com seus movimentos robóticos. O que mais me surpreendeu nessa conversa não foi a capacidade de assassinar inocentes a sangue frio que os oficiais do Império parecem ter. O mais surpreendente foi que nunca pensei que Darth Vader pudesse ser tão... humano.

---

Ah, sim, a piada está em Darth Vader ser tão humano. Era mais fácil ele mandar explodir logo três planetas que ter compaixão por alguém.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Marina, o carro estragado e o castelo

“Era a noite fria e lúgubre de uma sexta-feira, 14 de agosto. Chovia muito e por isso quase não se via a estrada, exceto por cada vez que um raio cruzava o céu. O vento puxava e empurrava o carro e era difícil dirigir. Só se ouvia achura batendo com força no teto e nos vidros do carro e um ou outro trovão forte o suficiente para superar o barulho da chuva.

‘Pelo menos hoje não é sexta-feira 13.’, pensou Marina depois de olhar o relógio digital seu seu carro. A chuva deixava Marina um pouco nervosa, porque ela não conhecia a região da estrada. De repente seu carro começou a agir estranhamente. Não respondia aos comandos de acelerar. Encostou o carro em uma área maior do acostamento, ligou o pisca alerta e cuidou de todos aqueles procedimentos de segurança, triângulo, galhos... Resolveu sair para buscar ajuda.

Enquanto Marina andava pela beira da estrada, mentalmente chamava a mãe do mecânico do seu carro de uns nomes não exatamente agradáveis. Cada vez que via um raio pensava que talvez pudesse ser um carro que se aproximava. Caminhou por milhões quilômetros, ou assim lhe pareceu, tiritando de frio. Ao virar uma curva da estrada avistou um castelo misterioso em una montanha. ‘Salvação’, murmurou Marina para a chuva, que tragou suas palavras sem piedade.

A subida para o castelo não foi fácil, o terreno era íngreme e a chuva tinha feito a terra virar lama, mas Marina conseguiu chegar à porta. Ao entrar notou que a porta rancia fortemente. Sentiu um tremor estranho percorrer todo seu corpo. ‘Deve ser o frio’, pensou. Observou atentamente o interior do castelo, mesmo que, na verdade, tivesse medo do que pudesse acabar por ver. Parecia que não havia coisa ou pessoa alguma ali, então Marina partiu a explorar.

Subiu as intermináveis escadarias com um medo que crescia em seu peito a cada degrau que subia. Quando terminou de subir a escadaria, se deparou com uma porta. Antes de abri-la, parou por uns instantes, como se buscasse coragem. Empurrou a porta e encontrou apenas salas e mais salas, todas abandonadas e vazias, exceto por ratos que habitavam os cantos com seus ninhos e aranhas que teciam suas teias pelo teto. Todo o lugar cheirava a umidade e abandono.

Mas em um piscar de olhos todo o ambiente se iluminou e uma música de órgão começou a tocar ensurdecedoramente. Marina se assustou e gritou quase tão alto quanto a música. O grito de Marina pareceu despertar hordas de morcegos ensandecidos. Voavam como loucos e se…”

— Cara, mas que história previsível…
— Não gostou?
— Nem terminei de ler. Já sei como vai terminar. Um vampiro vai aparecer do nada e atacar a menina, não é?
— Na verdade, não, não é.
— Ah, não?
— Não, não é, tá? Não aparece um vampiro. Quem surge é o vampiro! É Nosferatu, Phantom der Nacht!!!
— Não deixa de ser um vampiro.